Namorado Pré Pago

Publicado: 10/06/2016 em muito feliz

O país está em crise, temos 11 milhões de desempregados, 66% da população endividada e apesar das mudanças, levaremos alguns meses para mudar timidamente este cenário. Mas o brasileiro é otimista e não desiste nunca. Tenho visto e ouvido ideias bizarras, cômicas e absurdas na busca por um lugar ao sol e boa negociação dos carnês vencidos.

Mais um dia dos namorados chegando e o comércio está enfraquecido. Porém o nicho dos serviços tem se mostrado bem divertido. Dentre as bizarrices, dias atrás correu nas redes sociais um anuncio que oferecia presente surpresa ao namorado: depilação artística, desenhos e cores a escolher e acabamento em glitter. Prevejo alguns relacionamentos findados no dia seguinte, mas enfim, existe gosto pra tudo.

Anos atrás houveram vários anúncios “Alugo-me para o dia dos namorados” mas a resposta veio delicadamente embrulhada em papel de seda “se não estão querendo nem de graça, quem vai pagar pra alugar?”

Pra amenizar a situação crítica de quem está sem emprego e daqueles que estão pegando papel no vento e parando trator na piscada sensual, recomendo algo inovador voltado aos novos tempos e tecnologia: Namorado (a) pré-pago.

Funciona como um cartão pré pago, você escolhe o pacote e paga antecipado por ele. O valor é vinculado ao serviço oferecido, que vai de passeio no shopping à visita na casa da avó. Também tem a versão “Monte Seu Kit” que inclui 5 opções à sua escolha: de duas a cinco horas, cinema, jantar ou festa de família (o mais caro), uma a três fotos do casal postadas em rede social e compartilhada entre os parentes, ligar no dia seguinte e áudio no whatsapp com música sertaneja.

O pré-pago é válido somente para a companhia, com direito a andar de mãos dadas e selinho, sem beijos ou outras intimidades para que não se crie vínculos afetivos entre as partes. Os passeios, alimentação e transporte correm por conta de quem contrata. A ideia é boa e atinge grande número de pessoas solitárias.

Crise? Que crise? Para toda dificuldade existe uma ideia de inovação. E esta ideia justifica minha pós graduação em negócios e qualidade em serviços. Esse dia dos namorados passarei administrando um grande grupo de amigos. Todos sem trabalho.

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Pela Metade

Publicado: 07/04/2016 em muito feliz

Em sua totalidade o ser humano é feito de metades que se tornam pares e que por ironia do destino, vive pela metade. Confuso? Explico: temos 46 cromossomos oriundos de metade do pai e metade da mãe, o que deixa claro que a própria natureza por sua vontade nos fez inteiros. Mas acredito que um desses pares traz como característica o gene da teimosia, pois percebam, teimamos em passar uma vida pela metade.

Comemos pela metade porque tudo o que é bom faz mal. A pizza tem glúten, carne vermelha é prejudicial, as frutas, legumes e verduras estão contaminados com agrotóxicos, a carne de porco provoca doenças, o frango também está contaminado e os doces engordam. Então comemos o pouco que é permitido, sempre da metade pra menos e nos contentamos em passar nossos dias fadados a saborear uma vida sem tempero. Morreremos sem saber qual o gosto e o prazer em se lambuzar.

O país vai de mal a pior e saímos nas ruas para manifestar de maneira muito estranha aos olhos do mundo. Metade fala que elite é coxinha, a outra metade fala dos que são mortadela e se por acaso se unem, fazem selfies. Metade está com o povo e a outra metade na ala vip do trio elétrico. E todos esquecem qual o motivo que os levaram às ruas para manifestar. Juntos, não defendem um país inteiro.

Estamos nos comunicando pela metade. Os dedos ganharam agilidade nos teclados, abreviamos palavras e termos e transformamos nossas reações em desenhos. Demonstramos amor apenas com um coração pulsante, você virou vc, as gargalhadas são kkkkkk, por favor é pfv e até o “pelo amor de Deus” é o novo plmdd. Pois é, as palavras encurtaram e o diálogo também. Somos capazes de resumir nosso dia em 140 caracteres ou menos: E aí, blz? Td blz bro.

As amizades estão pela metade porque vivemos desconfiados. Preferimos 100 amigos virtuais do que cinco em uma mesa de bar. Agindo dessa forma não estabelecemos vínculos e cortamos pela metade as expectativas de nos decepcionarmos. Falamos por meio de uma tela em qualquer parte do mundo e assim economizamos o tempo de deslocamento para chegar ao outro e falar olhando nos olhos. As emoções são traduzidas em uma linguagem de diversas carinhas amarelas que nem sempre e quase nunca, condiz com nossos sentimentos.

Amamos pela metade porque temos medos e traumas dos relacionamentos passados. Não nos permitimos abrir os sentimentos para que o outro fique à vontade e seguro. Caminhamos com o pé atrás segurando apenas a mão, na ponta do dedo mindinho porque temos medo que um abraço dado, sufoque ou falte no dia seguinte. Ouvimos constantemente que não devemos procurar a metade da laranja, que precisamos ser completos pra somar com o outro e bla bla bla… Quem opta viver pela metade mesmo tendo a outra metade, jamais formará um inteiro. Mas que ironia a minha, querer falar de amor pela metade, assunto que conheço em sua totalidade!

Se somos feitos de metades para nascermos inteiros, então por que escolhemos viver uma vida fracionada? Complete-se!

Serve pra Artesanato?

Publicado: 08/03/2016 em muito feliz

Quando sua amiga pedir um conselho, dê-lhe um abraço, pois o conselho mesmo de graça, ela não vai seguir. Já o abraço conforta antes e principalmente, depois do erro cometido.

A moça estava sem namorar havia mais de um ano. Sentia um misto de solidão com liberdade, tinha asas livres para voar mas estava cansada de fazer isso sozinha. E na espera da pessoa certa que tanto falavam existir, reapareceu aquele paquera das antigas, um chato, um mala sem alça e sem rodinhas, que veio pra cercar e ser cansativo. Ela foi alertada que tanto galanteio e insistência escondia alguma coisa obscura, mas como sofria da síndrome de São Tomé,  ignorou o conselho recebido e foi lá conferir o famoso “só acredito vendo”.

Foi e não acreditou no que viu, no que tentou ver, naquilo que nem mesmo seu maior esforço permitiu enxergar, sequer sentir. Que triste…

Logo com ela que no último relacionamento estava acostumada com dias intensos e criativos, noites tórridas e ofegantes com despertar matinal revigorante para ambos e café da manhã na cama. Foram quase dois anos protagonizando cenas quentes do tipo Nove Semanas com nuances do que se vê no redtube. Tempos felizes que ela viveu com alegria mesmo sabendo que nada pra sempre, tampouco perfeito.

Mas um dia a festa do cabide acabou, o tempo passou e ela decidiu dar chance ao acaso. Sim, o chato, cansativo e insistente que pelo mesmo acaso ressurgiu das cinzas, não pagou o motel e por economia levou-a para seu puxadinho na periferia do morro da quebrada. Foi ali mesmo, naquele sofá coberto com capa de chenile comprada no Brás, onde não conseguiu nem entregar o serviço básico, que dirá a noite sem limites que ele havia prometido. Além da ferramenta pequena, o único manual de uso que ele tinha conhecimento era arcaico, não sabia usar os acessórios e o operador estava sob efeitos etílicos. Nem apelando pra ajuda divina o panorama foi revertido.

Ela nem dormiu. Tinha raiva, tinha ódio e quando amanheceu descobriu que também não tinha café e nem teria o pingado no boteco. Padaria ali, nem existia! Quando estava pronta pra descer as ruas estreitas do morro a pé e voltar de ônibus com toda sua dignidade, já que toda vergonha do fiasco pertencia somente a ele, o mínimo foi oferecido: a carona. E no silêncio do retorno sua mente trabalhava. A mãe dele confundiu os cuidados do umbigo e atarraxou outra coisa? Aquilo serve pra artesanato? Era material reciclado?

Ela teimou. Foi. Conferiu. Se arrependeu. Chorou de raiva. Riu de si mesma. E voltou pra resgatar o abraço e ouvir a amiga dizer “Eu te avisei”.

artesanato

Praticando o Desapego

Publicado: 22/02/2016 em muito feliz

Já parou pra pensar em quanta coisa está acumulada ao seu redor? E dentro dos armários e gavetas? Não lembra o que tem guardado naquele quartinho das bagunças? O que você ainda mantém em seu interior que não lhe serve mais?

Somos colecionadores de bugigangas materiais, lembranças empoeiradas e sentimentos nocivos. E a dolorida verdade é que dificilmente estamos dispostos a nos livrar de nossas tranqueiras porque até o material remete ao emocional criando um círculo vicioso.

Trinta anos depois e você ainda guarda aquela centrífuga de presente de casamento e as baixelas que nunca foram usadas. Aquela camiseta que o ex deixou em casa ainda tem o cheiro dele? Você não tem um toca disco mas nunca pensou em se desfazer daquele vinil riscado de sua adolescência. A vela do bolo de um ano do filho que hoje mora sozinho, a caneta com a carga ressecada que usou pra assinar seu primeiro diploma, a coleção extinta da revista dos anos 80 e que ficou faltando 12 exemplares, livros que nunca foram lidos por inteiro, a bijuteria faltando pedraria, aquela roupa que ficou apertada e você espera um dia ainda usar, bibelôs na estante e aquele monte de quadros inexpressivos esquecidos na parede da sala.

Também guardamos mágoas, rancores, tristezas, frustrações, amores não correspondidos, desentendimentos e saudades doídas. Colecionamos ao nosso redor pessoas negativas cujo apreço somente de nossa parte nos prende a elas, apagando nossa luz própria. Escondemos sorrisos, sufocamos lágrimas e um coração partido. É assustador saber que há no mundo mais de sete bilhões de acumuladores de coisas e sentimentos desnecessários. Tanta quinquilharia obscura que a qualquer momento o Universo pode engolir numa cratera e assim acabar o mundo. Em um buraco negro.

Há dois anos atrás deixei um sobrado de 250m² pra me instalar em definitivo num apartamento três vezes menor. Precisei doar metade do que tinha e a outra metade eram lembranças acumuladas. O livramento não doeu, só fez bem e abriu meus caminhos. Levei para o novo lar somente o básico que lotou um caminhão mas fiz viagem única. Sem volta. Sem lembranças dos anos que ali passei. Vida nova.

Desapegar é deixar partir, fluir boas energias, ter consciência de que tudo é passageiro, é a arte de fazer circular. O que não lhe serve mais pode suprir a necessidade de outros. O desapego mais difícil de praticar é sem dúvida, o emocional. Jogar fora o negativo e energizar o bem é tarefa para todos os dias porém nem todos se habilitam a exercitar.

Imagina quanta positividade pode emergir da simples ação de nos livrar das emoções tóxicas e despir nosso espírito de tudo o que faz mal. Porque nem toda emoção gera uma doença, mas toda doença está relacionada às nossas emoções negativas, insatisfações e aborrecimentos guardados.

Quer uma vida mais leve onde só tenha lugar para a positividade? Livre-se do que não precisa carregar, dê lugar para novas experiências, deixe seu lar respirar. Se for pra acumular algo, que seja novas paisagens e novos amores. Apegue-se ao que é de luz e arrisque desapegar do que e principalmente, de quem não acrescenta sorrisos.

É assim que a vida flui.

desapego

Desafios

Publicado: 19/02/2016 em muito feliz

Dia desses perguntei ao meu filho o significado de Viral: termo utilizado para designar um conteúdo ou assunto divulgado na internet e que ganha repercussão inesperada. Nas palavras doces e sinceras que meu entendimento captou, trata-se daquilo que torra nossa paciência pelo tanto de vezes que aparece nas redes sociais.

Viralizar, compartilhar, curtir, passar pra frente, favoritar, publicar, bombar na web. De piadas e modismo a utilidade pública, tem de tudo um pouco e o viral dura apenas alguns dias, tempo suficiente para influenciar uma massa, mexer com um público específico, cansar a todos e desafiar. Sim, um viral acontece para desafiar alguma coisa, nem que seja o bom senso ou o limite do ridículo.

Anos atrás surgiu o desafio do balde de gelo cujo objetivo consistia em derramar em si um balde de gelo com o intuito de conscientizar as pessoas sobre a esclerose lateral amiotrófica e fazer doações para pesquisas sobre a doença. Nos Estados Unidos pode ter dado certo, mas em terras tupiniquins teve cara de auto promoção de gente famosa e fast celebridades.

Na onda do balde de gelo também tivemos o desafio sem make, que propunha à mulher postar sua foto sem maquiagem, sem filtro e zero photoshop, ressaltando a beleza real sem truques e artifícios. Disseram que era um alerta para chamar a atenção sobre a obsessão nociva e descontrolada em busca de um padrão de beleza imposto pela sociedade. Admirei a auto estima sem medo da mulherada que vi nas redes sociais. O nível de coragem foi animador, porém não me convenceu a postar minha foto, até porque não faria diferença alguma, já que não uso nenhuma maquiagem no meu dia a dia. Já dizia meu amado tio que mulher bonita de verdade você só conhece quando ela acorda. Mas arriscar pra que? Deixa como está.

A última (ou penúltima) moda dos desafios é o da maternidade, que causou polêmica, brigas e discussões entre internautas, textões, choros, críticas e defesas porque uma mãe resolveu não aceitar o desafio e expôs sua mais sincera opinião e foi banida. Tanto barulho e até agora não se sabe para que foi criado o evento, alem de somente compartilhar os bons momentos de mães e seus rebentos. Deste desafio eu participaria se o fruto da minha maternidade não tivesse com quase 25 anos, barba feita e 1,75 m de altura, ainda que conserve seu sorriso infantil até hoje.

Como proceder no mundo fora das redes sociais, onde tudo é real e não tem como fugir dos desafios diários? Em cada novo amanhecer meus caros, a vida me desafia a ser melhor que ontem, fazer diferente, ter atitude e firmeza nos meus propósitos. Para cada novo desafio que a vida me impõe, eu dobro a aposta, ultrapasso os limites e quando termina o dia, venço ou aprendo, jamais eu perco.

Encare esse desafio. É o único que mesmo não querendo, somos obrigados a participar, e que tem como objetivo maior e real, nosso próprio crescimento.

Duração

Publicado: 29/01/2016 em muito feliz

Tudo o que acontece sem platéia, dura mais. Em tempos de compartilhamento de informações na velocidade da luz, aquilo que ocorre ao nosso redor pode ser conhecido no instante seguinte lá nas terras onde ainda não amanheceu o dia.

Temos uma sociedade que respira alta competitividade, geralmente nociva e que atende pelo codinome Inveja e se prolifera no âmbito profissional, de negócios, pessoal e até sentimental. Basta um novo acontecimento vir à superfície pra movimentar a casa de apostas em quanto tempo vai durar.

As pessoas gostam de espetáculo e não perdem um bom lugar na platéia, com direito a combo de pipoca e refrigerante. Apreciam e aplaudem o trágico e o drama pois são campeões de audiência. Porque temas como a comédia, superação, romance e principalmente conquistas, não dão bilheteria. Aquela máxima “Se está dando certo, não conte” está carregada de verdade em todos os sentidos.

Vai trocar de emprego, não conte. Vai casar, não publique antecipadamente. Começou novo relacionamento, não divulgue. Comprou um imóvel, só conte com as chaves na mão. Vai viajar, poste as fotos quando retornar, pois o risco do avião cair ou o navio afundar é nulo. Experimente! Perceba que conquistas incomodam e há quem se sinta ferido e ofendido por aquele que se sai bem em alguma coisa, não importa se o motivo da alegria é material ou sentimental.

A moça passou cinco meses em absoluto silêncio durante o processo de financiamento do seu apartamento. Deixou que as pessoas soubessem através da foto do capacho da entrada, na semana da sua mudança. Na contramão, outra amiga viu seu relacionamento escorrer pelo ralo quando anunciou sua felicidade e os planos do casal querer morar juntos. O final infeliz é que não estão mais juntos. Aquela ideia do amigo em fazer intercâmbio em outro país foi abortada depois de ouvir todas as opiniões e conselhos dizendo que era loucura. Investiu o dinheiro em um empreendimento que também não deu certo.

Seja o que for que decida mudar, trabalhe seu objetivo em silêncio, tem muita gente fazendo barulho ensurdecedor e desnecessário no mundo, desviando a atenção do Universo que conspira a seu favor. E quem não está a seu favor, está contra, é simples. O meio termo daquele que está em cima do muro é a tradução do ‘isso não vai dar certo…’

Ficou lá atrás em dias distantes e esquecidos, aquela época que se podia abraçar com risos e lágrimas de felicidade, as boas notícias. Em meio a tanta competição de egos inflados, as conquistas devem ser guardadas. E se compartilhada que seja com poucos. Raros, eu diria. Um ou dois, quem sabe. Dura mais.

Sem Medidas

Publicado: 20/01/2016 em muito feliz

Bicho descontente com números é a mulher quando se trata de balança, equipamento assustador tanto para mais quanto para menos. Solteira eu era tão magra que minha mãe preocupava se um dia eu me casaria. Casei com três meses de gestação pesando 48 quilos. Passados alguns meses cheguei aos 41. Dezoito anos depois me separei vestindo manequim 44. Não queiram saber o quanto eu pesava, a pauta não é essa.

Depois dos 35 anos de idade o corpo muda e se opõe ao nosso bom humor. Ele não pergunta o que nos agrada nem como o queremos. Impõe as mudanças gostemos ou não e começamos a questionar o porquê dessa revolta corporal. É o anticoncepcional, é o metabolismo, foi o stress, falta tempo pra academia, é a loucura do dia e não me alimento direito, retenção de líquidos que me deixa inchada, é psicológico…

Corta os doces, evita glúten, dieta da proteína, apela pra alimentação vegana, tira a carne vermelha, troca tudo por grãos e fibras, produtos emagrecedores importados, apela pro laxante, chá de boldo, cavalinha, hibisco, carqueja, os chás verdes, amarelos e brancos, maca peruana. Juntamos as cápsulas, folhas, pós e shakes, não importa o nome e o tipo, o que vale é o resultado. E se em sete dias não secar a barriga com a dieta milagrosa que a revista prometia, aí então apelamos pra medicina. Nutricionista, endocrinologia, gastro e todos os especialistas possíveis que indicarem, até que possamos enxergar no fim do túnel, um milagre qualquer.

Homem quando se preocupa com o corpo só tem duas finalidades: ficar bombado achando que vai impressionar ou por imposição médica após aquele susto que quase o levou desta para melhor. Homem come de tudo sem medo de nada. Ganham peso, papas, gorduras e dobras. Praticam levantamento de peso com latas de cerveja, revezamento de pratos, barriga ganha apelido de travesseiro e se acham em ótima forma. Redonda. Admiro essa autoestima deles.

Um fato é verdadeiro: muito mais difícil que emagrecer é conseguir engordar. Uma crise de depressão me levou 18 quilos embora. Fiquei magérrima, diminuí tamanho, perdi medidas e todo o estoque de paciência quando questionavam se era doença de amor. Enquanto muitas mulheres se recusavam usar roupas plus-size, eu relutava em comprar as minhas nos setores infanto-juvenis. Um ano e meio depois recuperei metade do que perdi e todo controle emocional do mundo não é suficiente pra segurar o manequim 38. Se eu não cuido, o fole dessa sanfona se retrai de novo.

Não existe corpo perfeito. Existe a imperfeição das pessoas que buscam satisfazer padrões impostos pela sociedade, quando o que precisamos é aceitar nossos limites, ter consciência do que é saudável e o que nos faz bem. A vida é bela e não exige medidas.

Posso ser sincera? Você está linda! Abrace seu encanto, coloque uma música e saia dançando. Nosso efeito sanfona é tão intenso que estamos craques no forró pé de serra. Rodopie, requebre e seja feliz!