Sementes e flores

Publicado: 06/02/2017 em muito feliz

Nem acordamos direito e já se foi o primeiro mês do ano. Chegamos em fevereiro e meu medo é terminar este pequeno texto degustando os chocolates da Páscoa ou recebendo o aviso das férias coletivas. E não estou exagerando.

O ano de 2016 não foi fácil pra ninguém, os comentários em sua totalidade apontaram que foi o pior dos últimos tempos em todos os sentidos para muita gente. Num cenário imaginário, vi as pessoas saindo de 2016 como se fosse cena do seriado “The Walking Dead” ou seja: mais mortos do que vivos, nos arrastamos como zumbis vendo o dia 31 de dezembro como a porta da salvação para quem conseguisse chegar até ela. Sorte de quem saiu ileso de 2016.

Para colher frutos é preciso antes de mais nada, plantar suas sementes. O que esperamos colher quando não conhecemos as sementes? Aquelas três amigas receberam as sementes mais difíceis (senão as piores) para que cultivassem no ano que passou.

Luciana é uma mulher que tem tudo: bonita, inteligente, bem sucedida, independente financeiramente porém estava insatisfeita com seu casamento. De tanto engolir sapos, engordou, perdeu o brilho, a vaidade, a vontade e a auto-estima. Ela pressentia desde o inicio de 2016 que seu relacionamento estava indo pro brejo. E foi.

Donatta viveu seu ano de expectativas e promessas sem futuro, teve depressão, o corpo coberto por hematomas emocionais, crises de choro, perdeu o ânimo para o trabalho e estava deixando de viver para simplesmente existir dia após dia. Ligou sua vida no piloto automático e não sabia qual seria o destino onde chegaria.

Regina teve o Ano D: desemprego, depressão e decepção. Com exceção da decepção, nem tudo foi com ela, mas diretamente sentiu os sintomas dos 3Ds na boca do estômago. Juntou também o cansaço de ser sempre a ponte para que alguém seja feliz com outra pessoa e não com ela.

As sementes das amigas não estavam bichadas. Foram dadas com o propósito que fizessem germinar coragem e florir mudanças, só elas é que não sabiam. Num impulso, tiraram uma semana para uma terapia a três e protagonizaram o que podia ser uma continuação dessas comédias nacionais do tipo SOS Mulheres ao Mar ou Os Homens São de Marte.

Em uma semana, riram muito, choraram um bocado e transbordaram fé em dias melhores rotulados com a etiqueta Bem Vindo 2017. Fizeram pactos e promessas. Na passagem do ano não pularam ondas, mas permitiram banhar-se em águas renovadoras. Imitando Carlota Joaquina, valeu até bater os chinelos para não levar nem a poeira de 2016. O desejo era de apagar da memória e esquecer tudo o que haviam vivido até ali.

E não é que deu certo? Pouco mais de 30 dias do novo ano e as notícias são as melhores. Luciana está emagrecendo, recuperou o amor próprio e sua auto estima. Donatta recebeu uma ligação que mudou sua vida: uma proposta de trabalho que lhe abriu os horizontes e fortaleceu seus propósitos. Regina está mais confiante, não nas pessoas mas em si mesma e cogita a possibilidade de abrir o coração sem medo dos tombos e decepções.

As sementes podem ser as piores, mas as condições para que elas floresçam está em nossas mãos. A vida é um experimento, nem por isso plante seus sonhos em algodão. E não terceirize sua jardinagem. Ninguém senão Deus, fará melhor que você. Plante, cuide e confie. Já dizia meu amado tio, até a jaqueira também dá flores.

 

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