Arquivo de fevereiro, 2017

Mais Um Fim de Mundo

Publicado: 15/02/2017 em muito feliz

Última vez que fui convidada para um evento dessa magnitude era dezembro de 2012. Ainda bem que não paguei pelo ingresso e nem pela produção de roupa, cabelos e deslocamento, pois nada aconteceu. Agora estão noticiando uma nova edição desse evento para amanhã, porém não informaram o horário.

Segundo um cientista russo, o ápice da festa será a chegada de um asteroide na Terra causando um choque triunfal e inesquecível. Mas a NASA já mandou avisar que o convidado de honra não virá e tudo será cancelado novamente. Na dúvida se acontecerá ou não, prefiro não botar a mão no bolso e se eu for, visto o melhor que tenho.

Tem gente preocupada com o fim do mundo sim, várias formas de preocupação. Uns fazendo lista do que precisa cumprir ainda hoje, outros pensando no que vai sobrar depois, alguns planejando o que fazer se escapar dessa. Há quem esteja assistindo Armagedon para ter uma ideia do que virá pela frente.

Ouvi boatos que o Brasil não suporta um evento desse tamanho. Ao contrário do que estão dizendo, o Brasil é o país com melhor estrutura para sediar o fim do mundo, afinal já vivemos isso há anos e todo dia é um 7×1 diferente. Desvio do dinheiro público, crimes impunes, estados sitiados e tantas outras mazelas que tudo isso parece só uma prévia.

Se está valendo falar “viva hoje como se não houvesse amanhã” então bem que podiam antecipar pra hoje o saque do FGTS das contas inativas, poderíamos deixar o orgulho de lado e fazer as pazes como coração e com quem amamos, cancelar os boletos de cobrança pendentes, decretar open-bar na quarta feira, abrir a avenida Paulista e Faria Lima pra população festejar e dar início ao carnaval de imediato, assim podemos emendar com a festa do fim do mundo.

Terminando esse texto vou adiantar umas coisinhas e não deixar nada pra depois. E pode ser que sobre tempo e eu dê uma passadinha lá pra ver a todos, assim de última hora. Alguém sabe se vão servir martíni ou levo o meu de casa?

A festa acaba mas a vida continua, assim espero.

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Sementes e flores

Publicado: 06/02/2017 em muito feliz

Nem acordamos direito e já se foi o primeiro mês do ano. Chegamos em fevereiro e meu medo é terminar este pequeno texto degustando os chocolates da Páscoa ou recebendo o aviso das férias coletivas. E não estou exagerando.

O ano de 2016 não foi fácil pra ninguém, os comentários em sua totalidade apontaram que foi o pior dos últimos tempos em todos os sentidos para muita gente. Num cenário imaginário, vi as pessoas saindo de 2016 como se fosse cena do seriado “The Walking Dead” ou seja: mais mortos do que vivos, nos arrastamos como zumbis vendo o dia 31 de dezembro como a porta da salvação para quem conseguisse chegar até ela. Sorte de quem saiu ileso de 2016.

Para colher frutos é preciso antes de mais nada, plantar suas sementes. O que esperamos colher quando não conhecemos as sementes? Aquelas três amigas receberam as sementes mais difíceis (senão as piores) para que cultivassem no ano que passou.

Luciana é uma mulher que tem tudo: bonita, inteligente, bem sucedida, independente financeiramente porém estava insatisfeita com seu casamento. De tanto engolir sapos, engordou, perdeu o brilho, a vaidade, a vontade e a auto-estima. Ela pressentia desde o inicio de 2016 que seu relacionamento estava indo pro brejo. E foi.

Donatta viveu seu ano de expectativas e promessas sem futuro, teve depressão, o corpo coberto por hematomas emocionais, crises de choro, perdeu o ânimo para o trabalho e estava deixando de viver para simplesmente existir dia após dia. Ligou sua vida no piloto automático e não sabia qual seria o destino onde chegaria.

Regina teve o Ano D: desemprego, depressão e decepção. Com exceção da decepção, nem tudo foi com ela, mas diretamente sentiu os sintomas dos 3Ds na boca do estômago. Juntou também o cansaço de ser sempre a ponte para que alguém seja feliz com outra pessoa e não com ela.

As sementes das amigas não estavam bichadas. Foram dadas com o propósito que fizessem germinar coragem e florir mudanças, só elas é que não sabiam. Num impulso, tiraram uma semana para uma terapia a três e protagonizaram o que podia ser uma continuação dessas comédias nacionais do tipo SOS Mulheres ao Mar ou Os Homens São de Marte.

Em uma semana, riram muito, choraram um bocado e transbordaram fé em dias melhores rotulados com a etiqueta Bem Vindo 2017. Fizeram pactos e promessas. Na passagem do ano não pularam ondas, mas permitiram banhar-se em águas renovadoras. Imitando Carlota Joaquina, valeu até bater os chinelos para não levar nem a poeira de 2016. O desejo era de apagar da memória e esquecer tudo o que haviam vivido até ali.

E não é que deu certo? Pouco mais de 30 dias do novo ano e as notícias são as melhores. Luciana está emagrecendo, recuperou o amor próprio e sua auto estima. Donatta recebeu uma ligação que mudou sua vida: uma proposta de trabalho que lhe abriu os horizontes e fortaleceu seus propósitos. Regina está mais confiante, não nas pessoas mas em si mesma e cogita a possibilidade de abrir o coração sem medo dos tombos e decepções.

As sementes podem ser as piores, mas as condições para que elas floresçam está em nossas mãos. A vida é um experimento, nem por isso plante seus sonhos em algodão. E não terceirize sua jardinagem. Ninguém senão Deus, fará melhor que você. Plante, cuide e confie. Já dizia meu amado tio, até a jaqueira também dá flores.