Praticando o Desapego

Publicado: 22/02/2016 em muito feliz

Já parou pra pensar em quanta coisa está acumulada ao seu redor? E dentro dos armários e gavetas? Não lembra o que tem guardado naquele quartinho das bagunças? O que você ainda mantém em seu interior que não lhe serve mais?

Somos colecionadores de bugigangas materiais, lembranças empoeiradas e sentimentos nocivos. E a dolorida verdade é que dificilmente estamos dispostos a nos livrar de nossas tranqueiras porque até o material remete ao emocional criando um círculo vicioso.

Trinta anos depois e você ainda guarda aquela centrífuga de presente de casamento e as baixelas que nunca foram usadas. Aquela camiseta que o ex deixou em casa ainda tem o cheiro dele? Você não tem um toca disco mas nunca pensou em se desfazer daquele vinil riscado de sua adolescência. A vela do bolo de um ano do filho que hoje mora sozinho, a caneta com a carga ressecada que usou pra assinar seu primeiro diploma, a coleção extinta da revista dos anos 80 e que ficou faltando 12 exemplares, livros que nunca foram lidos por inteiro, a bijuteria faltando pedraria, aquela roupa que ficou apertada e você espera um dia ainda usar, bibelôs na estante e aquele monte de quadros inexpressivos esquecidos na parede da sala.

Também guardamos mágoas, rancores, tristezas, frustrações, amores não correspondidos, desentendimentos e saudades doídas. Colecionamos ao nosso redor pessoas negativas cujo apreço somente de nossa parte nos prende a elas, apagando nossa luz própria. Escondemos sorrisos, sufocamos lágrimas e um coração partido. É assustador saber que há no mundo mais de sete bilhões de acumuladores de coisas e sentimentos desnecessários. Tanta quinquilharia obscura que a qualquer momento o Universo pode engolir numa cratera e assim acabar o mundo. Em um buraco negro.

Há dois anos atrás deixei um sobrado de 250m² pra me instalar em definitivo num apartamento três vezes menor. Precisei doar metade do que tinha e a outra metade eram lembranças acumuladas. O livramento não doeu, só fez bem e abriu meus caminhos. Levei para o novo lar somente o básico que lotou um caminhão mas fiz viagem única. Sem volta. Sem lembranças dos anos que ali passei. Vida nova.

Desapegar é deixar partir, fluir boas energias, ter consciência de que tudo é passageiro, é a arte de fazer circular. O que não lhe serve mais pode suprir a necessidade de outros. O desapego mais difícil de praticar é sem dúvida, o emocional. Jogar fora o negativo e energizar o bem é tarefa para todos os dias porém nem todos se habilitam a exercitar.

Imagina quanta positividade pode emergir da simples ação de nos livrar das emoções tóxicas e despir nosso espírito de tudo o que faz mal. Porque nem toda emoção gera uma doença, mas toda doença está relacionada às nossas emoções negativas, insatisfações e aborrecimentos guardados.

Quer uma vida mais leve onde só tenha lugar para a positividade? Livre-se do que não precisa carregar, dê lugar para novas experiências, deixe seu lar respirar. Se for pra acumular algo, que seja novas paisagens e novos amores. Apegue-se ao que é de luz e arrisque desapegar do que e principalmente, de quem não acrescenta sorrisos.

É assim que a vida flui.

desapego

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comentários
  1. Kleber disse:

    Sim, é verdade. Toda vez que me mudei desapeguei-me de metade das tralhas acumuladas, quadros, livros já lidos, bugigangas encaixotadas que nem sabia que tinha. A única coisa que nuca deixei pra trás foram meus Cds…esses eu não abro mão! 😉

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