Sem Medidas

Publicado: 20/01/2016 em muito feliz

Bicho descontente com números é a mulher quando se trata de balança, equipamento assustador tanto para mais quanto para menos. Solteira eu era tão magra que minha mãe preocupava se um dia eu me casaria. Casei com três meses de gestação pesando 48 quilos. Passados alguns meses cheguei aos 41. Dezoito anos depois me separei vestindo manequim 44. Não queiram saber o quanto eu pesava, a pauta não é essa.

Depois dos 35 anos de idade o corpo muda e se opõe ao nosso bom humor. Ele não pergunta o que nos agrada nem como o queremos. Impõe as mudanças gostemos ou não e começamos a questionar o porquê dessa revolta corporal. É o anticoncepcional, é o metabolismo, foi o stress, falta tempo pra academia, é a loucura do dia e não me alimento direito, retenção de líquidos que me deixa inchada, é psicológico…

Corta os doces, evita glúten, dieta da proteína, apela pra alimentação vegana, tira a carne vermelha, troca tudo por grãos e fibras, produtos emagrecedores importados, apela pro laxante, chá de boldo, cavalinha, hibisco, carqueja, os chás verdes, amarelos e brancos, maca peruana. Juntamos as cápsulas, folhas, pós e shakes, não importa o nome e o tipo, o que vale é o resultado. E se em sete dias não secar a barriga com a dieta milagrosa que a revista prometia, aí então apelamos pra medicina. Nutricionista, endocrinologia, gastro e todos os especialistas possíveis que indicarem, até que possamos enxergar no fim do túnel, um milagre qualquer.

Homem quando se preocupa com o corpo só tem duas finalidades: ficar bombado achando que vai impressionar ou por imposição médica após aquele susto que quase o levou desta para melhor. Homem come de tudo sem medo de nada. Ganham peso, papas, gorduras e dobras. Praticam levantamento de peso com latas de cerveja, revezamento de pratos, barriga ganha apelido de travesseiro e se acham em ótima forma. Redonda. Admiro essa autoestima deles.

Um fato é verdadeiro: muito mais difícil que emagrecer é conseguir engordar. Uma crise de depressão me levou 18 quilos embora. Fiquei magérrima, diminuí tamanho, perdi medidas e todo o estoque de paciência quando questionavam se era doença de amor. Enquanto muitas mulheres se recusavam usar roupas plus-size, eu relutava em comprar as minhas nos setores infanto-juvenis. Um ano e meio depois recuperei metade do que perdi e todo controle emocional do mundo não é suficiente pra segurar o manequim 38. Se eu não cuido, o fole dessa sanfona se retrai de novo.

Não existe corpo perfeito. Existe a imperfeição das pessoas que buscam satisfazer padrões impostos pela sociedade, quando o que precisamos é aceitar nossos limites, ter consciência do que é saudável e o que nos faz bem. A vida é bela e não exige medidas.

Posso ser sincera? Você está linda! Abrace seu encanto, coloque uma música e saia dançando. Nosso efeito sanfona é tão intenso que estamos craques no forró pé de serra. Rodopie, requebre e seja feliz!

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comentários
  1. Diná disse:

    Excelente texto! !
    Maravilhoso!
    Parabéns 💋💋💋

  2. Liliana disse:

    Demaissssssssssssssssssssssssssssssssss !!!!!!!!!!!!!!!! texto totalmente equilibrado,com dicas e piadinhas !!!! Muito bom !

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