Fetiches e Fantasias

Publicado: 06/05/2018 em muito feliz

Tem conversas que nem sabemos como começam, se tornam tão divertidas e rendem um dia, uma semana e chegam até a dar nomes para grupos de trabalho. Lá estávamos em meio a muito papel, pilhas de documentos e o assunto era salto alto – suas funções, tipos, malefícios da coluna, panturrilhas torneadas, desejos,  fetiches e fantasias e o circo pegou fogo!

E quando o circo pega fogo, feliz é aquela que foge com o bombeiro sabendo o real significado do termo fetiche. Não sou eu mas vamos aos esclarecimentos.  Fetiche e fantasia são elementos distintos. Enquanto um trabalha o objeto concreto (corpo e objetos), a fantasia estimula a imaginação com cenários e situações . E ambos funcionam em perfeita harmonia quando combinado antes entre o casal. Os fetiches mais comuns envolvem pés, sapatos, roupas de couro e personificação de algumas profissões.

A trilogia dos “Cinquenta Tons” retratou o gosto e prática do fetiche ao sadomasoquismo. Uma novela atual mostra o casal apimentando a relação através das fantasias eróticas de ambos com várias performances. O filme “De Pernas pro Ar” revela a descoberta do prazer depois de conhecer uma sex shop. Já o filme “Loucas pra Casar” tem como foco a fantasia sexual levada ao extremo, onde a personagem principal se perde entre o real e a fantasia em si. Não sei se a arte imita a vida, mas está bem explícito que muitos de nós precisamos nos despir de pré conceitos e deixar de ver o fetiche como algo bizarro. É absolutamente normal, saudável e faz bem pra pele. E como faz!!!

É muito comum mulheres se sentirem atraídas por homens vestidos de policiais, médicos, lenhadores e mecânicos. Os homens em sua vez, tem quedas absurdas por roupas de couro, salto alto, meias 7/8, olhos vendados, algemas, lingeries e lugares inusitados para a prática do sexo, como elevadores, estacionamentos e banheiros de avião.

Entre as dezenas de histórias que ouvi, tem a amiga que guarda numa caixa algumas fantasias que vão de policial a fada mística, usadas de acordo com a vontade do parceiro. Uma moça queria presentear o namorado numa ocasião especial e se vestiu apenas com uma fita que terminava num generoso e lindo laço. Não perguntei onde estava o laço. Outra colega que gostava de lugares peculiares, acordou com o namorado num posto de gasolina e outra vez parou no acostamento da Marginal Tietê. Convenhamos com o ditado, tudo o que é proibido é mais gostoso.

Um colega contou que seu fetiche é ser dominado por uma mulher de botas de cano longo, o salto alto lhe acariciando e termina cravado delicadamente em seu corpo. Outro colega contou “tira tudo mas por favor, deixa o salto”. O sonho erótico de um amigo sempre foi jogar os objetos da mesa de trabalho no chão e terminar o expediente ali mesmo, com sua assistente de salto alto.

Strip-tease ou pole dance seriam alguns dos meus fetiches, isso se eu soubesse dançar ou tivesse a leveza de uma pluma e não de um elefante colhendo flores. Mas não foge da maioria da imaginação feminina (minha, inclusive) aquela prensa na parede seguida do puxão de cabelo, leve compressão da mão na cintura e lábios sussurrando na nuca. Só pra começar…

Não quero estragar o clima da leitura erótica, mas um dos relatos ouvidos é que o ápice do êxtase quando atingimos a maturidade, é ter boletos pagos antes do vencimento e saldo bancário de quatro dígitos virando o mês. Mas como nem tudo nessa vida é perfeito, esqueça as contas temporariamente, aproveite se você tem uma boa parceria, relaxe e goze de todos os momentos e oportunidades.

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Novos Tempos

Publicado: 02/05/2018 em muito feliz

Feriado, sol, planos de ficar em casa lagarteando até que meu filho me tirou da zona de conforto e “vamos pra Paulista”. Não dá pra negar um pedido a uma criança de quase 27 anos que faz de um passeio na Paulista, aquele tour nas lojas geeks, livraria e acaba num chopp depois da longa caminhada.

E foi num barzinho na calçada, com risos e um papo leve que me dei conta da nova cara, as atribuições e responsabilidades da mãe moderna. Mudou tudo e olha, já vou contando que é deliciosamente assustador.

Recebi uma educação rígida porém com muito amor. Vivenciei uma adolescência com pouca liberdade de expressão pra época, a comunicação era olho no olho, não havia celular nem internet e os fatos e acontecimentos só eram conhecidos através da televisão num mundo em que os jornais ainda eram de papel. Ainda existia respeito, limites, obediência, bons costumes e pedíamos a bênção aos mais velhos. Parece coisa do século passado, e até é! Isso tudo foi agora há pouco, no fim do século 20.

E foi nos anos 90 que me tornei mãe. Mudou o século num piscar de olhos e parece que acordei hoje naquele barzinho, acompanhada do meu filho, barbudo, já caminhando para a casa dos 30. Os tempos são outros e foi preciso me adaptar pra acompanhar a evolução da espécie humana.

Já fui com meu filho numa feira nacional de tatuadores. Voltei pra casa com um piercing transversal na orelha que colocamos juntos. No stand, o tatuador/aplicador achou que fosse uma espécie de compromisso entre casal. Não deixou de ser, é um elo entre mãe e filho (mas a autoestima foi lá em cima). E se estamos em novos tempos com novas mães, também temos novas avós. Minha mãe passou o dia no maior evento geek do Brasil acompanhando e se divertindo com seu “netinho”, em meio a super heróis e novidades do cinema. Na minha época o máximo eram os bolinhos de chuva na casa da avó…

Ser mãe não é fácil. Ser mãe e pai do meu filho é uma delícia! Inclui pegar um cinema, sair pra tomar chopp, ver show de rock, limitar que nossa casa não é motel, conversar abertamente sobre vícios, drogas e seus efeitos, escolhas e consequências, falar de nossos crushes, os contatinhos, super heróis, projetos, estudos, planos, conquistas futuras.

Em um mundo de corrupção, concorrência acirrada e esquecimento dos bons costumes, diferencia-se na sociedade aquele traz consigo valores éticos e morais. Como toda mãe, também tenho dúvidas se estou fazendo o certo, e pra não errar, além de contar com Deus, tenho empregado esforços pra criar o homem que não tive a sorte de encontrar. Certeza que alguma moça, minha futura nora, terá mais sorte que eu.

Se for pra ser mãe, que seja parceira, cúmplice, companheira, amiga pra todas as horas sem perder o foco de criar um bom cidadão para um mundo melhor. Eu avisei que não é fácil. Vai encarar??

Simplifique

Publicado: 30/12/2017 em muito feliz

Hoje vi um post numa rede social que dizia: “Se pudesse mandar uma mensagem pra pessoa que você era no começo de 2017, qual seria?” Pensei em várias respostas, desde o vá e enfrente até o não seja trouxa. Mas para enfrentar, ir em frente e não ser trouxa, é preciso simplificar. Eu diria àquela que fui no inicio do ano: Cris, simplifique a vida!!

2018

Simplifique a dieta. Pra que aquela lista que elimina carboidratos, mais proteínas, corta o glúten, dieta verde, receitas detox, comida vegana? Tão simples poder comer de tudo um pouco, em poucas quantidades, com menos açúcar, alguns exercícios diários e mais prazer na vida!!

Simplifique seus contatos. Sabe aquela agenda do celular com 326 nomes? Uns 15 te ligam por assuntos comuns, outros 10 estão no grupo de favoritos e o restante… só lembram de você quando precisam de favores, indicação de emprego, reclamar que não foram convidados pra festa. Você não precisa do famoso e seleto grupo do “oi sumido”. E já que nada lhe acrescenta, delete, diminua, simplifique a agenda.

Simplifique as redes sociais. Delete o que não é importante (nas redes, nada é). Tem 740 amigos porém só 30 curtem suas fotos? Preste atenção: a platéia é maior quando se trata de drama, tragédia ou fofoca. Se vale como dica, não exponha sua vida nas redes, use-as pra rir, se divertir e se informar.

Simplifique as coisas do coração. Não crie expectativas e não se apegue a quem pouco lhe oferece. Lembres-se que para seu perfeito funcionamento, deve haver reciprocidade, na medida justa para ambos. Se não pode ser prioridade, não aceite ser opção.

Simplifique os caminhos evitando os atalhos, simplifique o guarda roupa doando o que não usa mais, simplifique os problemas apresentando soluções, simplifique o trabalho com mais cooperação, simplifique a amizade com mais sorrisos e os laços com mais união.

Chegue em 2018 de alma leve, sem histórias mal contadas e contos inacabados. Entre com os dois pés levando na bagagem somente o necessário: o amor próprio, a fé e a crença em dias melhores. Simplifique logo no primeiro dia, assim não precisará ter desejado mandar recado.

Simplifique tudo o que puder e seja simplesmente feliz…

A Socialite

Publicado: 07/12/2017 em muito feliz

Todo mundo tem um amigo/amiga diferenciado. Em bom e popular português, é aquela pessoa fora do padrão normal, que se destaca por uma peculiaridade, sempre com a noção fora da casinha e cujos detalhes se tornam marcantes e memoráveis. Nós temos uma amiga assim.

Não a conhecemos desde os primórdios de sua existência, mas pelos traços e histórico pessoal, deduzimos que a Cegonha por descuido e distração, deixou-a cair ou entregou em endereço errado. Uma loira de trejeitos delicados, fina, voz mansa, olhar calmo e andar sensual, tem o pacote completo e credenciais suficientes para pertencer à alta sociedade. Só não teve a sorte direcionada.

Se comeu o pão que o diabo amassou, é porque não soube fazer amizade com a fome. Mas Deus é grandioso e lhe agraciou com uma filha que é o colorido dos seus dias melhores. E nunca mais ela ficaria sozinha.

O charme e glamour natural a torna isca fácil para os aproveitadores de plantão. Se aproximam e logo pensam na vida boa que sua imagem poderia oferecer. Passou por isso uma, duas, três vezes, na quarta já estava quase graduada. Dia desses até trocou telefone com um Habib num café, mas logo percebeu que era golpe e deletou a possibilidade antes que terminasse com o chapéu na mão. De novo. Outra vez…

Conhece o que é bom: boas comidas, boas roupas, ótimos lugares e viagens mas só conhece mesmo, nem tudo foi desfrutado. Não nasceu pra ser pobre, é apenas a falta de recursos financeiros compatíveis com seu estilo e bom gosto. Aliás sabemos que é mesmo muito estilo pra pouco recurso.

“Como assimmmm?/ Ninguém merece/ Só por Deus/ To passando o c* no serrote/ Mentiraaaa…” são termos que poderiam ser bordões de alguma novela ou programa humorístico, mas fazem parte do seu vocabulário de fala doce aliado aos dedinhos na testa mostrando indignação em qualquer assunto que seja foco de nossas conversas.

Toda delicada feito boneca de porcelana, não pode usar um creme anti-idade daquele catálogo de marca popular pois sua pele é sensível. Nada de leite de rosas, só pode com água micelar pro rosto não esfarelar. Não se adaptou ao grupo de ginástica com precinho camarada lá no parque público, pois deitar na grama estava fora de cogitação e não era bom pro seu bico. No caso, o bico de papagaio. O viveiro mesmo, de tantos bicos.

Adora um médico, guias de exames, bula de remédio e receita médica só se for manipulada. Conhece tudo de tarja preta e as propriedades químicas de qualquer genérico. Tome cuidado ao tomar uma simples aspirina perto dela, logo vai perguntar pra que, por que, como e desde quando você sofre com essa dor crônica. Diz que não pode fazer exercícios físicos pois tem a maldição dos vascular. Também tem pressão alta, glaucoma, alergia, lapsos de memória, unha encravada crônica e um coração enorme.

O problema é justamente esse coração enorme, pronto a ajudar a todos, mole demais para os fatos da vida e bobo ao extremo. Desses que não hesita e não desiste das tentativas em quem sabe um dia, ainda tirar a sorte grande pra desfrutar das riquezas que só o amor (merecido) poderá lhe proporcionar…

Como Eu Era Antes de Você

Publicado: 27/11/2017 em muito feliz

Não vou falar do filme que leva o mesmo título. Sendo uma história melo-romântica, não assisti por ter perdido a confiança no romantismo. O que sempre esquecemos, é que o amor tem várias formas, suspiros, linguagens e um jeito peculiar de curar o que ele mesmo causa, seja a dor da perda ou da rejeição.

Muitos dizem que a vida é feita de escolhas, mas ninguém percebe que um determinado dia, a vida escolhe exatamente você e muda tudo nos seus dias que eram frios, sombrios e sem cor.  A vida te impõe a opção única em aceitar o recomeço na companhia de quatro patas e um focinho.

Estava sendo um ano difícil e interminável. E naquele dia, ela, a vida, me escolheu. Minha amiga mandou a foto e perguntou: “quer?”. No impulso e sem pensar, respondi com outra pergunta: “quando vamos buscar?”

E foi assim que a Cacau chegou, amedrontada, descabelada e desconfiada. O olho brilhou, coração acelerou e o amor foi instantâneo. No momento que a felicidade entrou cheirando cada canto e se aninhando no colo do meu filho, já não havia mais espaço para a depressão naquele apartamento.

Meses depois, minha amiga preencheu seu coração com um novo amor que não mente, não trai, não engana, não dá prejuízo e lhe presenteia todos os dias com sua presença alegre. De Brutus só tem o nome, sua doçura é contagiante. E o que era somente uma casa, tornou-se um lar tomado por potes de ração, almofadas, jornais, biscoitos, coleiras, caixa de brinquedos, roupas e fantasias caninas.

Qual matemática explica a multiplicação desse amor capaz de dividir-se em dois, três e continuar crescendo? Não contente apenas com o Brutus, a família cresceu com a chegada da Olivia.

Cachorros 1As conversas entre eu e minha amiga tomaram outro rumo. Nossos passeios incluem locais que recebem pets, trocamos as fotos de homens sarados no celular por cliques fofinhos de nossos quatro patas. As roupas estão cheia de pelos, os corações transbordam alegria e dos olhos escorre um amor genuíno. Publicações em redes sociais só tem latidos e já rendeu tatuagem eternizada na pele. Viramos cachorreiras de carteirinha, alma e coração.

Eu já sabia que um animal preenche a vida #SpikeForever,  mas agora fica claro que também curam tristeza, depressão, solidão, mau humor, aliviam a tensão dos dias pesados, induzem à caminhada diária contribuindo com nossa saúde, nos obrigam a sair da casca e socializar e de quebra, aquecem os pés para dormir.

Animais são os melhores remédios. Estudos comprovam que sua presença assistida em hospitais melhoram a capacidade motora, diminui a ansiedade e depressão, melhora o sistema imunológico e auto estima. A terapia com cães e gatos é recomendada à idosos e crianças, mas quem permanece insensível perto desses bichinhos?

Nem todo amor fala a mesma língua. Se no mesmo idioma humanos não se entendem, é perfeitamente normal conversar com um cão e ele lhe entender. Louco é quem julga a diferença de espécies! E por falar em diferenças, vai uma dica: Amor não tem raça nem pedigree. Se assim fosse, eles jamais nos escolheriam, afinal quem somos nós?

Quando chegaram em nossos mundos não sabíamos o que fazer com eles, hoje não imaginamos nossas vidas sem eles.

Proibido Estacionar

Publicado: 28/09/2017 em muito feliz

Uma tarde de terça qualquer, as duas amigas fechavam o expediente e planejavam um café, o bate papo e as conversas em dia. Saíram do prédio e a menos de 50 metros dali ecoou um grito de “cadê meu carro, levaram meu carro“. O desespero tomou conta de uma e a outra ficou sem entender o que se passava, até avistar o cavalete na rua. Uma chorava copiosamente e a outra ria de nervoso sem saber o que fazer.

A situação era crítica e nada conspirava a favor: o carro no nome do pai, o documento  no porta luvas, veículo cheio de mercadorias, o porta malas tinha de tudo, até objeto suspeito (impróprio para o horário desta leitura), diversas bolsas de maquiagem que pra dona é item de sobrevivência, sapatos, mala com roupas, enfim, o carro era quase um trailer!

Se a situação era crítica, a solução era simples, naquela noite não tinha o que fazer. O cavalete estava lá, fresquinho no lugar do carro guinchado. Volte duas casas!! Não existe um “não” quando se trata delas. Alguém tinha que fazer alguma coisa, por pior que fosse o caso. Sacou o celular e chamou a terceira peça da engrenagem. O cenário pedia até um cano no futebol.

Menos de meia hora e um carro escandaloso adentrava a rua. Podia ser uma ambulância de resgate, o camburão que levaria a infratora, mas era somente a terceira amiga em seu carro que estava prestes a se transformar em circo sobre rodas.

A primeira providência – bizarra – foi registrar em risos e imagens, o momento épico com o cavalete debaixo do braço, num gesto de quem assume a infração. A segunda providência, tirar da cabeça dela a ideia de no dia seguinte, bater no flanelinha que garantiu a vaga segura, já que o mesmo não é o dono do ponto e estava somente cobrindo o lugar do titular, que no momento está preso. E se todos os contatos feitos falharam em ajudar orientando o que fazer, as três resolveram dar fim no problema maior: a fome.

Pararam na padaria, pediram uma pizza, riram mais do quecavalete choraram e reafirmaram o que na prática elas sabem muito bem: qualquer problema, por maior que seja, complexo, triste e difícil que possa parecer, somente juntas elas transformam nas suas melhores experiências.

Ah sim… no dia seguinte tudo foi resolvido, o carro foi retirado e nunca mais ela vai estacionar em local proibido.

Aula Gratuita

Publicado: 23/06/2017 em muito feliz

Não é novidade que gosto de dançar tal qual gosto de cantar, o que não significa que sei, mas garanto o pocket show. Eu amo cantar e nem penso nos vizinhos. Um dia eles acostumam ou eu aprendo a arte. Mas dançar é divino! Quem dera eu soubesse dançar como minha mãe sempre sonhou: uma pequena bailarina, leve e delicada feito uma borboleta.

Esquece a delicadeza. Dançando me assemelho a um elefante colhendo flores nos campos coloridos da Holanda. Não nasci com esse dom. Não sei dançar, não consegui aprender natação e cantar faço por teimosia. Pra espantar os males, como diz aquele ditado.

Há alguns anos entrei numa escola de dança de salão e estava indo bem, não derrubava ninguém, conseguia acompanhar com o olhar e desafiava a coordenação motora. Desisti porque rir sozinha não tinha graça.

Dias atrás a amiga entusiasta convidou pra fazer uma aula experimental de funk na academia que frequenta. Passei o dia me imaginando rebolando até o chão, jogando o quadril pro lado, mãozinha no joelho, barriga chapada em movimentos sensuais e o quadradinho de oito. Lembrei que a realidade é extremamente outra. A coluna já travou, o joelho estrala subindo escada, se agachar eu não levanto, a barriga é de dança do ventre e não tenho tempo pra saber o que é o quadradinho de oito. Enfim, encarei a aula gratuita de funk pela diversão com as amigas.

De top, legging e regata, acomodei o celular nos peitos e tentava, descontroladamente, acompanhar o professor moreno-tatuado-saradão e suas melhores alunas, aquelas que ficam na primeira fileira. Já viram circular nas redes sociais, o vídeo da senhorinha em sua primeira aula de zumba? Era eu amanhã…

Meu único triunfo na aula foi o suor queimando as calorias. Saí daquela aventura pingando em bicas, com a sensação de ter perdido uns três quilos. Bom, se perdi calorias até hoje não sei, mas perdi meu celular que morreu afogado nos peitos. Pois é, meu celular também não sabia nadar.

Fui embora da aula gratuita com um celular morto e rindo muito pra compensar o prejuízo. Não aprendi a dançar funk mas levei a lição: guarde qualquer coisa nos peitos. Chave, uns trocados, carteira, cartão do banco, até um amor, se sobrar espaço e merecer. Mas nunca guarde o celular nos peitos.

Frustrada…. nunca serei a Annita.