Aula Gratuita

Publicado: 23/06/2017 em muito feliz

Não é novidade que gosto de dançar tal qual gosto de cantar, o que não significa que sei, mas garanto o pocket show. Eu amo cantar e nem penso nos vizinhos. Um dia eles acostumam ou eu aprendo a arte. Mas dançar é divino! Quem dera eu soubesse dançar como minha mãe sempre sonhou: uma pequena bailarina, leve e delicada feito uma borboleta.

Esquece a delicadeza. Dançando me assemelho a um elefante colhendo flores nos campos coloridos da Holanda. Não nasci com esse dom. Não sei dançar, não consegui aprender natação e cantar faço por teimosia. Pra espantar os males, como diz aquele ditado.

Há alguns anos entrei numa escola de dança de salão e estava indo bem, não derrubava ninguém, conseguia acompanhar com o olhar e desafiava a coordenação motora. Desisti porque rir sozinha não tinha graça.

Dias atrás a amiga entusiasta convidou pra fazer uma aula experimental de funk na academia que frequenta. Passei o dia me imaginando rebolando até o chão, jogando o quadril pro lado, mãozinha no joelho, barriga chapada em movimentos sensuais e o quadradinho de oito. Lembrei que a realidade é extremamente outra. A coluna já travou, o joelho estrala subindo escada, se agachar eu não levanto, a barriga é de dança do ventre e não tenho tempo pra saber o que é o quadradinho de oito. Enfim, encarei a aula gratuita de funk pela diversão com as amigas.

De top, legging e regata, acomodei o celular nos peitos e tentava, descontroladamente, acompanhar o professor moreno-tatuado-saradão e suas melhores alunas, aquelas que ficam na primeira fileira. Já viram circular nas redes sociais, o vídeo da senhorinha em sua primeira aula de zumba? Era eu amanhã…

Meu único triunfo na aula foi o suor queimando as calorias. Saí daquela aventura pingando em bicas, com a sensação de ter perdido uns três quilos. Bom, se perdi calorias até hoje não sei, mas perdi meu celular que morreu afogado nos peitos. Pois é, meu celular também não sabia nadar.

Fui embora da aula gratuita com um celular morto e rindo muito pra compensar o prejuízo. Não aprendi a dançar funk mas levei a lição: guarde qualquer coisa nos peitos. Chave, uns trocados, carteira, cartão do banco, até um amor, se sobrar espaço e merecer. Mas nunca guarde o celular nos peitos.

Frustrada…. nunca serei a Annita.

Mais Um Fim de Mundo

Publicado: 15/02/2017 em muito feliz

Última vez que fui convidada para um evento dessa magnitude era dezembro de 2012. Ainda bem que não paguei pelo ingresso e nem pela produção de roupa, cabelos e deslocamento, pois nada aconteceu. Agora estão noticiando uma nova edição desse evento para amanhã, porém não informaram o horário.

Segundo um cientista russo, o ápice da festa será a chegada de um asteroide na Terra causando um choque triunfal e inesquecível. Mas a NASA já mandou avisar que o convidado de honra não virá e tudo será cancelado novamente. Na dúvida se acontecerá ou não, prefiro não botar a mão no bolso e se eu for, visto o melhor que tenho.

Tem gente preocupada com o fim do mundo sim, várias formas de preocupação. Uns fazendo lista do que precisa cumprir ainda hoje, outros pensando no que vai sobrar depois, alguns planejando o que fazer se escapar dessa. Há quem esteja assistindo Armagedon para ter uma ideia do que virá pela frente.

Ouvi boatos que o Brasil não suporta um evento desse tamanho. Ao contrário do que estão dizendo, o Brasil é o país com melhor estrutura para sediar o fim do mundo, afinal já vivemos isso há anos e todo dia é um 7×1 diferente. Desvio do dinheiro público, crimes impunes, estados sitiados e tantas outras mazelas que tudo isso parece só uma prévia.

Se está valendo falar “viva hoje como se não houvesse amanhã” então bem que podiam antecipar pra hoje o saque do FGTS das contas inativas, poderíamos deixar o orgulho de lado e fazer as pazes como coração e com quem amamos, cancelar os boletos de cobrança pendentes, decretar open-bar na quarta feira, abrir a avenida Paulista e Faria Lima pra população festejar e dar início ao carnaval de imediato, assim podemos emendar com a festa do fim do mundo.

Terminando esse texto vou adiantar umas coisinhas e não deixar nada pra depois. E pode ser que sobre tempo e eu dê uma passadinha lá pra ver a todos, assim de última hora. Alguém sabe se vão servir martíni ou levo o meu de casa?

A festa acaba mas a vida continua, assim espero.

Sementes e flores

Publicado: 06/02/2017 em muito feliz

Nem acordamos direito e já se foi o primeiro mês do ano. Chegamos em fevereiro e meu medo é terminar este pequeno texto degustando os chocolates da Páscoa ou recebendo o aviso das férias coletivas. E não estou exagerando.

O ano de 2016 não foi fácil pra ninguém, os comentários em sua totalidade apontaram que foi o pior dos últimos tempos em todos os sentidos para muita gente. Num cenário imaginário, vi as pessoas saindo de 2016 como se fosse cena do seriado “The Walking Dead” ou seja: mais mortos do que vivos, nos arrastamos como zumbis vendo o dia 31 de dezembro como a porta da salvação para quem conseguisse chegar até ela. Sorte de quem saiu ileso de 2016.

Para colher frutos é preciso antes de mais nada, plantar suas sementes. O que esperamos colher quando não conhecemos as sementes? Aquelas três amigas receberam as sementes mais difíceis (senão as piores) para que cultivassem no ano que passou.

Luciana é uma mulher que tem tudo: bonita, inteligente, bem sucedida, independente financeiramente porém estava insatisfeita com seu casamento. De tanto engolir sapos, engordou, perdeu o brilho, a vaidade, a vontade e a auto-estima. Ela pressentia desde o inicio de 2016 que seu relacionamento estava indo pro brejo. E foi.

Donatta viveu seu ano de expectativas e promessas sem futuro, teve depressão, o corpo coberto por hematomas emocionais, crises de choro, perdeu o ânimo para o trabalho e estava deixando de viver para simplesmente existir dia após dia. Ligou sua vida no piloto automático e não sabia qual seria o destino onde chegaria.

Regina teve o Ano D: desemprego, depressão e decepção. Com exceção da decepção, nem tudo foi com ela, mas diretamente sentiu os sintomas dos 3Ds na boca do estômago. Juntou também o cansaço de ser sempre a ponte para que alguém seja feliz com outra pessoa e não com ela.

As sementes das amigas não estavam bichadas. Foram dadas com o propósito que fizessem germinar coragem e florir mudanças, só elas é que não sabiam. Num impulso, tiraram uma semana para uma terapia a três e protagonizaram o que podia ser uma continuação dessas comédias nacionais do tipo SOS Mulheres ao Mar ou Os Homens São de Marte.

Em uma semana, riram muito, choraram um bocado e transbordaram fé em dias melhores rotulados com a etiqueta Bem Vindo 2017. Fizeram pactos e promessas. Na passagem do ano não pularam ondas, mas permitiram banhar-se em águas renovadoras. Imitando Carlota Joaquina, valeu até bater os chinelos para não levar nem a poeira de 2016. O desejo era de apagar da memória e esquecer tudo o que haviam vivido até ali.

E não é que deu certo? Pouco mais de 30 dias do novo ano e as notícias são as melhores. Luciana está emagrecendo, recuperou o amor próprio e sua auto estima. Donatta recebeu uma ligação que mudou sua vida: uma proposta de trabalho que lhe abriu os horizontes e fortaleceu seus propósitos. Regina está mais confiante, não nas pessoas mas em si mesma e cogita a possibilidade de abrir o coração sem medo dos tombos e decepções.

As sementes podem ser as piores, mas as condições para que elas floresçam está em nossas mãos. A vida é um experimento, nem por isso plante seus sonhos em algodão. E não terceirize sua jardinagem. Ninguém senão Deus, fará melhor que você. Plante, cuide e confie. Já dizia meu amado tio, até a jaqueira também dá flores.

 

Fica…

Publicado: 14/09/2016 em muito feliz

Sempre que ouço a música “Encontros e Despedidas – Maria Rita” minha mente viaja e traz lembranças. Diz a letra que “tem gente que chega pra ficar e tem gente que vai pra nunca mais.” Eu digo que tem gente que passa sutilmente enquanto outros são tsunamis devastadores em nossas vidas. Particularmente gosto de quem fica, não importa o tempo de permanência, mas enquanto está, nos transforma no que de melhor podemos ser. Então fica…

Fica com aquela amizade que faz bem, com quem distribui e intensifica sorrisos, seca lágrimas em seu ombro enquanto te abraça. Aquela amizade que divide a conta e a cerveja, diminui o tamanho do monstro chamado problema, soma os melhores momentos e multiplica a sua fé.

Fica com aquele amor que não tem vergonha de passear de mãos dadas no shopping, que sorri contigo na presença dos amigos, te faz família, te inclui em planos para daqui meia hora ou pra vida toda. Não importa se é aquele amor que surpreende com um bombom ou uma aliança de compromisso, fica com quem te valoriza pelo que é, não pelo que tens.

Fica com quem é de verdade em qualquer situação que você se encontre. Quem alerta sobre seus erros em segredo e que te defende perante os inimigos. Fica com quem após dois turnos de trabalho ininterrupto, faz daquelas poucas horas contigo, uma eternidade cheia de melhores momentos.

Tá liberado ficar até na própria companhia, massagear os pés, ajeitar os travesseiros, preparar um chá, sorrir no espelho e se declarar amor próprio. Fica com teu lar, com teus bichos de estimação, tuas plantas, fica e cante para vibrar as cordas vocais.

Se decidir mesmo ficar… Fica por inteiro, sem metades e sem se economizar. Fica pra transbordar, fazer bem, pra ser companhia, fica pro jantar, quem sabe o café da manhã talvez, e por que não? Mas fica por vontade e não por conveniência. Fica porque quer e não por obrigação.

E se não puder ficar, deixa perfume, deixa saudade, deixa boas lembranças, deixa suspiros. Só não deixe promessas no meio do caminho. Deixa a passagem livre pra quem merecer o lugar.

Mas acima de tudo, fica bem com quem te faz bem. Entre e fique à vontade.

Namorado Pré Pago

Publicado: 10/06/2016 em muito feliz

O país está em crise, temos 11 milhões de desempregados, 66% da população endividada e apesar das mudanças, levaremos alguns meses para mudar timidamente este cenário. Mas o brasileiro é otimista e não desiste nunca. Tenho visto e ouvido ideias bizarras, cômicas e absurdas na busca por um lugar ao sol e boa negociação dos carnês vencidos.

Mais um dia dos namorados chegando e o comércio está enfraquecido. Porém o nicho dos serviços tem se mostrado bem divertido. Dentre as bizarrices, dias atrás correu nas redes sociais um anuncio que oferecia presente surpresa ao namorado: depilação artística, desenhos e cores a escolher e acabamento em glitter. Prevejo alguns relacionamentos findados no dia seguinte, mas enfim, existe gosto pra tudo.

Anos atrás houveram vários anúncios “Alugo-me para o dia dos namorados” mas a resposta veio delicadamente embrulhada em papel de seda “se não estão querendo nem de graça, quem vai pagar pra alugar?”

Pra amenizar a situação crítica de quem está sem emprego e daqueles que estão pegando papel no vento e parando trator na piscada sensual, recomendo algo inovador voltado aos novos tempos e tecnologia: Namorado (a) pré-pago.

Funciona como um cartão pré pago, você escolhe o pacote e paga antecipado por ele. O valor é vinculado ao serviço oferecido, que vai de passeio no shopping à visita na casa da avó. Também tem a versão “Monte Seu Kit” que inclui 5 opções à sua escolha: de duas a cinco horas, cinema, jantar ou festa de família (o mais caro), uma a três fotos do casal postadas em rede social e compartilhada entre os parentes, ligar no dia seguinte e áudio no whatsapp com música sertaneja.

O pré-pago é válido somente para a companhia, com direito a andar de mãos dadas e selinho, sem beijos ou outras intimidades para que não se crie vínculos afetivos entre as partes. Os passeios, alimentação e transporte correm por conta de quem contrata. A ideia é boa e atinge grande número de pessoas solitárias.

Crise? Que crise? Para toda dificuldade existe uma ideia de inovação. E esta ideia justifica minha pós graduação em negócios e qualidade em serviços. Esse dia dos namorados passarei administrando um grande grupo de amigos. Todos sem trabalho.

Pela Metade

Publicado: 07/04/2016 em muito feliz

Em sua totalidade o ser humano é feito de metades que se tornam pares e que por ironia do destino, vive pela metade. Confuso? Explico: temos 46 cromossomos oriundos de metade do pai e metade da mãe, o que deixa claro que a própria natureza por sua vontade nos fez inteiros. Mas acredito que um desses pares traz como característica o gene da teimosia, pois percebam, teimamos em passar uma vida pela metade.

Comemos pela metade porque tudo o que é bom faz mal. A pizza tem glúten, carne vermelha é prejudicial, as frutas, legumes e verduras estão contaminados com agrotóxicos, a carne de porco provoca doenças, o frango também está contaminado e os doces engordam. Então comemos o pouco que é permitido, sempre da metade pra menos e nos contentamos em passar nossos dias fadados a saborear uma vida sem tempero. Morreremos sem saber qual o gosto e o prazer em se lambuzar.

O país vai de mal a pior e saímos nas ruas para manifestar de maneira muito estranha aos olhos do mundo. Metade fala que elite é coxinha, a outra metade fala dos que são mortadela e se por acaso se unem, fazem selfies. Metade está com o povo e a outra metade na ala vip do trio elétrico. E todos esquecem qual o motivo que os levaram às ruas para manifestar. Juntos, não defendem um país inteiro.

Estamos nos comunicando pela metade. Os dedos ganharam agilidade nos teclados, abreviamos palavras e termos e transformamos nossas reações em desenhos. Demonstramos amor apenas com um coração pulsante, você virou vc, as gargalhadas são kkkkkk, por favor é pfv e até o “pelo amor de Deus” é o novo plmdd. Pois é, as palavras encurtaram e o diálogo também. Somos capazes de resumir nosso dia em 140 caracteres ou menos: E aí, blz? Td blz bro.

As amizades estão pela metade porque vivemos desconfiados. Preferimos 100 amigos virtuais do que cinco em uma mesa de bar. Agindo dessa forma não estabelecemos vínculos e cortamos pela metade as expectativas de nos decepcionarmos. Falamos por meio de uma tela em qualquer parte do mundo e assim economizamos o tempo de deslocamento para chegar ao outro e falar olhando nos olhos. As emoções são traduzidas em uma linguagem de diversas carinhas amarelas que nem sempre e quase nunca, condiz com nossos sentimentos.

Amamos pela metade porque temos medos e traumas dos relacionamentos passados. Não nos permitimos abrir os sentimentos para que o outro fique à vontade e seguro. Caminhamos com o pé atrás segurando apenas a mão, na ponta do dedo mindinho porque temos medo que um abraço dado, sufoque ou falte no dia seguinte. Ouvimos constantemente que não devemos procurar a metade da laranja, que precisamos ser completos pra somar com o outro e bla bla bla… Quem opta viver pela metade mesmo tendo a outra metade, jamais formará um inteiro. Mas que ironia a minha, querer falar de amor pela metade, assunto que conheço em sua totalidade!

Se somos feitos de metades para nascermos inteiros, então por que escolhemos viver uma vida fracionada? Complete-se!

Serve pra Artesanato?

Publicado: 08/03/2016 em muito feliz

Quando sua amiga pedir um conselho, dê-lhe um abraço, pois o conselho mesmo de graça ela não vai seguir. Já o abraço conforta antes e principalmente, depois do erro cometido.

A moça estava sem namorar havia mais de um ano. Sentia um misto de solidão com liberdade, tinha asas livres para voar mas estava cansada de fazer isso sozinha. E na espera da pessoa certa que tanto falavam existir, reapareceu aquele paquera das antigas, um chato, um mala sem alça e sem rodinhas, que veio pra cercar e ser cansativo. Ela foi alertada que tanto galanteio e insistência escondia alguma coisa obscura, mas como sofria da síndrome de São Tomé,  ignorou o conselho recebido e foi lá conferir o famoso “só acredito vendo”.

Foi e não acreditou no que viu, no que tentou ver, naquilo que nem mesmo seu maior esforço permitiu enxergar, sequer sentir. Que triste…

Logo com ela que no último relacionamento estava acostumada com dias intensos e criativos, noites tórridas e ofegantes com despertar matinal revigorante para ambos e café da manhã na cama. Foram quase dois anos protagonizando cenas quentes do tipo Nove Semanas com nuances do que se vê no redtube. Tempos felizes que ela viveu com alegria mesmo sabendo que nada é perfeito.

Mas um dia a festa do cabide acabou, o tempo passou e ela decidiu dar chance ao acaso. Sim, o chato, cansativo e insistente que pelo mesmo acaso ressurgiu das cinzas, não pagou o motel e por economia levou-a para seu puxadinho na periferia do morro da quebrada. Foi ali mesmo, naquele sofá coberto com capa do Brás, onde não conseguiu nem entregar o serviço básico que dirá a noite sem limites que ele havia prometido. Além da ferramenta pequena, o único manual de uso que ele tinha conhecimento era arcaico, não sabia usar os acessórios e o operador estava sob efeitos etílicos. Nem apelando pra ajuda divina o panorama foi revertido.

Ela nem dormiu. Tinha raiva, tinha ódio e quando amanheceu descobriu que também não tinha café e nem teria o pingado no boteco. Quando estava pronta pra descer as ruas estreitas do morro a pé e voltar de ônibus com toda sua dignidade, já que toda vergonha do fiasco pertencia somente a ele, o mínimo foi oferecido: a carona. E no silêncio do retorno sua mente trabalhava. A mãe dele confundiu os cuidados do umbigo e atarraxou outra coisa? Aquilo serve pra artesanato? Era material reciclado?

Ela teimou. Conferiu. Se arrependeu. Chorou de raiva. Riu de si mesma. E foi lá resgatar o abraço e ouvir a amiga dizer “Eu te avisei”.

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